Cavaco
Silva levou mais de metade do tempo da sua comunicação a procurar demonstrar os
efeitos perniciosos e terríficos que resultariam se fossem convocadas eleições
antecipadas.
Os
mercados, referiu ele, perante as incertezas dos resultados, iriam, certamente,
reagir, fazendo subir as taxas dos juros, a cotação bolsista seria igualmente
afectada e o país teria de se sujeitar a um novo resgate ainda mais gravoso,
etc., etc.
Mas, se
a causa dessa nova situação seria a incerteza, durante três ou quatro meses, até
que as eleições se realizassem e voltasse a normalidade governativa, como se
justifica que, na solução preconizada pelo Presidente da República, estejam,
exactamente, previstas eleições antecipadas para daqui a um ano?
Os
efeitos são, obviamente, pelo menos, os mesmos, com a agravante de que a
incerteza dos resultados irá durar em vez de três meses, quinze ou dezasseis.
A quase
totalidade dos especialistas em análises e comentários políticos referem a
falta de clareza da proposta de Cavaco, que se presta às mais diversas
interpretações, sem que se vislumbre como é possível satisfazer as condições
apontadas, tal a complexidade que representam.
Enfim,
Cavaco quis demonstrar que também é capaz de dizer coisas, mesmo que, como é
seu costume, procure apagar o fogo com gasolina.
Entrou
na sala para falar aos portugueses, todo emproado, “chegou
e disse …… e foi-se”, deixando ao país não um caminho, mas um labirinto.

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