segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

NATAL SEM ESPERANÇA


                                                         


Quando era jovem vivia o Natal com ansiedade pensando, essencialmente, nas prendas que o “menino Jesus” me iria pôr no sapatinho, que eu, na véspera do dia 25, ia colocar na chaminé.
No dia seguinte, os meninos recolhiam as suas modestas prendas com a alegria e a satisfação própria de quem, que nada tendo, algo que receba é muito apreciado e, ficavam brincando o dia inteiro com um carrinho, uma boneca ou o que quer que fosse, que mais lhes tivesse agradado.

Mau grado as dificuldades que as famílias menos abastadas passavam, esta época era de alegria e de confraternização familiar com uma ceia melhorada a que, normalmente, não faltava o bacalhau e os doces tradicionais.
É que, apesar de tudo, era possível sonhar que o ano seguinte pudesse vir a ser melhor, mercê de um aumento salarial ou de uma promoção, fruto do empenho na actividade profissional.
Depois, veio um período de alguma melhoria em que o Natal se vivia com enorme prazer e até, com alguma emoção.

Este ano, pouco disso persiste, com a alegria de então!

A tristeza e o desânimo abateram-se sobre nós e, aqueles que, eventualmente, poderiam contribuir para que a situação em que vivemos se invertesse, insistem, teimosamente, em seguir o caminho que traçaram, numa atitude de total desprezo pelas famílias que empobrecem, vertiginosamente, e, vão ficando, cada vez mais, sem os recursos indispensáveis à sua própria sobrevivência.

Por mais que disfarcemos, o Natal de 2012 é um mero ritual, onde a alegria foi substituída pela angústia e, a esperança de dias melhores deu lugar à triste certeza de que os tempos que aí vêm, vão ser, certamente, piores.

O Natal deste ano não será o tempo simbólico do “Nascimento de Jesus” e das ofertas dos “Reis Magos”, mas sim o tempo da ordem de Herodes, o Grande, para a perseguição e matança “de todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores”.

Para os crentes, com essa matança, cumpriu-se mais uma profecia proclamada por Jeremias que dizia:
“Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, choro e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem” (Mt 2:17-18)

É preciso evitar estas “matanças”;
É preciso lutar contra os “Herodes”;
É preciso que “Raquel” não tenha de chorar de novo pelos seus filhos;
É preciso fazer com que se retome a Esperança.

1 comentário: